
Mas com o corpo pesado mentalmente, que transmite sensações débeis ao físico, obrigando-o a procurar recantos para encontrar sossego e descanso.
A mente está sobrecarregada com diversificados pensamentos, estes muitas vezes sobrepõem-se fazendo parecer que esta mesma vai enlouquecer.
Tenho tido alguma dificuldade em encontrar um pouco de paz e acalmia, ando muito sensível e demasiado carenciado.
Preciso urgentemente de voltar á normalidade, voltar a visualizar o Mundo como sendo um magnífico paraíso e voltar a sorrir constantemente.
Mas deixando as tristezas de lado e seguindo outro traçado, vou expor aqui um refogado para colmatar a minha ausência das receitas culinárias.
Desta vez como a receita é fácil e prática vou logo á preparação, embora esteja um lindo dia de verão eu estou numa de desilusão, ahahhahh.
Assim sendo aqui vai o meu almoço.
Preparei um refogado normal, cebola, alho, colorau, louro, azeite e um pouco de sal, deixei apurar lentamente tudo em pouca água.
Desossei duas costeletas de porco e cortei estas em pedacinhos.
Depois do refogado estar pronto coloquei a carne na panela e adicionei um pouco de água.
Deixei cozer a carne no refogado até esta estar meia cozida.
A seguir coloquei esparguete e coloquei mais um pouco de água, no meio da cozedura verifiquei o sal, coloquei mais um poço deste.
E quando a massa ficou pronta, almocei.
Durante a tarde vi um pouco de Tv. e basculhei na mente o que estará tão errado em mim, não cheguei a nenhuma conclusão e fiquei na mesma.
Pode ser que amanha esteja melhor.
Ler para esquecer.
"SUSPIROS"
Quando da noite o véu caliginoso
Do mundo me separa,
E da terra os limites encobrindo,
Vagar deixa minha alma no infinito,
Como um subtil vapor no aéreo espaço,
Uma angélica voz misteriosa
Em torno de mim soa,
Como o som de uma frauta harmoniosa,
Que em sagradas abóbadas reboa.
.
Donde vem esta voz? — Não é de virgem,
Que ao prazo dado o bem-amado aguarda,
E mavioso canto aos céus envia;
Esta voz tem mais grata melodia!
.
Donde vem esta voz? — Não é dos Anjos,
Que leves no ar adejam,
E com hinos alegres se festejam,
Quando uma alma inocente
Deixa do barro a habitação escura,
E na sidérea altura,
Como um astro fulgente
Penetra de Adonai o aposento;
A voz que escuto tem mais triste acento.
.
Como d'ara turícrema se exalça
Nuvem de grato aroma que a circunda,
E lenta vai subindoEm faixas ondeantes,
Nos ares espargindoPartículas fragrantes,
E sobe, e sobe, até no céu perder-se,
Tal de mim esta voz parece erguer-se.
.
Sim, esta voz do peito meu se exala!
Esta voz é minha alma que se espraia,
É minha alma que geme, e que murmura,
Como um órgão no templo solitário;
Minha alma, que o infinito só procura,
E em suspiros de amor a seu Deus se ala.
Como surdo até hoje
Fui eu a tão angélica harmonia?
Porventura minha alma muda esteve?
Ou foram porventura meus ouvidos
Até hoje rebeldes?
Perdoa-me, oh meu Deus, eu não sabia!
Eram Anjos do céu que me inspiravam,
E outras vozes meus lábios modulavam.
.
Castas Virgens da Grécia,
Que os sacros bosques habitais do Pindo!
Oh Numes tão fagueiros,
Que o berço me embalastes
Com risos lisonjeiros,
Assaz a infância minha fascinastes.
Guardai os louros vossos,
Guardai-os, sim, qu'eu hoje os renuncio.
Adeus, ficções de Homero!
Deixai, deixai minha alma
Em seus novos delírios engolfar-se,
Sonhar co'as terras do seu pátrio Rio.
Só de suspiros coroar-me quero,
De saudades, de ramos de cipreste;
Só quero suspirar, gemer só quero,
E um cântico formar co'os meus suspiros;
Assim pela aura matinal vibrado
O Anemocórdio, ao ramo pendurado,
Em cada corda geme,
E a selva peja de harmonia estreme.
......
Oh como é belo o céu azul sem nódoa!
Que puro amor nos corações ateia,
Como a pupila de engraçada virgem,
Que serena nos olha, e nos enleia.
Mas que imagem sublime a mim se antolha,
Com largas asas brancas como o cisne,
E roçagante toga, que se ondeia
Como flocos de neve alabastrina!
Uma harpa de ouro em suas mãos sustenta!
Oh que voz suavíssima e divina!
Oh que voz, que as paixões n'alma adormenta!
.
Vem, oh Gênio do céu filho!
Vem, oh Anjo d'harmonia!
Cuja voz é mais suave,
Mais fragrante que a ambrosia!
.
Teu rosto vence em beleza
Ao sol no zênite luar
Teu largo manto é mais puro
Do que a lua alvinitente.
.
As asas, que te suspendem,
São mais ligeiras que o vento;
São mais terríveis que os raios,
Que giram no firmamento.
.
Tua fronte não se adorna
Com flores que o prado gera;
Sobre teus cabelos de ouro
Brilha de fogo uma esfera.
.
Teus pés a terra não tocam,
A teus pés a terra é dura;
Sobre aromas te equilibras
Recendentes de frescura.
.
O sol, a lua, as estrelas
São fanais que te iluminam,
São corpos a quem dás vida,
E ante teus passos se inclinam.
.
Os acordos de tua harpa
Todos os astros ecoam;
Reanima-se o Universo,
Quando as suas cordas soam.
.
Vem, oh Anjo, ungir meus lábios;
Traze-me uma harpa dos céus;
Ao som dela subir quero
Meus suspiros até Deus!
.
Quando no Oriente roxear a Aurora,
Como um purpúreo, auribordado manto,
Que ao Rei da luz o pavilhão decora,
E as saltitantes aves pelos ramos
Da madrugada o hino gorjearem,
Tua voz, oh minha alma, une a seu canto,
E as graças do Senhor cantando exora.
Quando a noite envolver a Natureza
Em tenebroso crepe; e sobre a terra
As asas desdobrar morno silêncio;
Nessas plácidas horas de repouso,
Em que tudo descansa, exceto o Oceano,
Que arqueja, e espuma em solitária praia,
Vizinhos ermos com seus ais pejando,
Como um preso que geme, e que debalde
Da prisão contra os muros se arremessa;
Tu também, como a lua, vigilante
Nessas propícias horas, oh minha alma,
Tua voz gemebunda exala, e une
À voz do Oceano, à voz d'ave noturna.
(Desconhecida mas muito bonito)
.
Para a semana darei uma receita diferente e mais complexa, fiquem bem, em paz e harmonia.